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Uma empresa lucrativa pode quebrar? Entenda a diferença entre DRE e DFC

Foto do escritor: Carol D’Auria
Carol D’Auria
17 de ago.
2 min de leitura


Parece contraditório, mas é uma das causas mais comuns de falência entre micro e pequenas empresas: um negócio que dá lucro — e mesmo assim não sobrevive. A explicação está em dois relatórios que todo empresário deveria acompanhar, mas que a maioria confunde ou simplesmente ignora: o DRE e o DFC.


O que é o DRE (Demonstrativo de Resultado do Exercício)

O DRE responde a uma pergunta: a minha empresa é lucrativa? Ele soma todo o faturamento de um período, subtrai custos, despesas e impostos, e chega a um resultado: lucro ou prejuízo. É um relatório de competência — ou seja, ele considera a venda no momento em que ela acontece, não no momento em que o dinheiro efetivamente entra no caixa.


O que é o DFC (Demonstrativo de Fluxo de Caixa)

Já o DFC responde a outra pergunta, bem mais prática: eu tenho dinheiro em caixa para pagar minhas contas? Ele mostra a movimentação real de entradas e saídas de dinheiro, respeitando prazos de recebimento e de pagamento. Um regime de caixa, não de competência.


Por que essas duas respostas podem ser tão diferentes

Imagine uma empresa que vende parcelado em 3x, mas paga seus fornecedores à vista. No DRE, a venda de R$ 3.000 já entra inteira como faturamento e gera lucro. No DFC, esse dinheiro só vai aparecer em três parcelas, ao longo de meses — enquanto as contas continuam vencendo todo mês, no valor cheio.

O resultado é uma empresa lucrativa no papel, mas sem caixa disponível na prática. E é exatamente esse descompasso — vender bem, mas não ter controle sobre quando o dinheiro entra e sai — um dos erros mais comuns e mais perigosos do pequeno empresário.


Como evitar esse erro

  • Acompanhe os dois relatórios juntos, nunca isoladamente: o DRE mostra se o negócio é viável; o DFC mostra se ele vai sobreviver ao mês seguinte.

  • Negocie prazos de recebimento e pagamento de forma que o caixa nunca fique negativo entre uma entrada e outra.

  • Tenha uma reserva de caixa para cobrir o intervalo entre vender e efetivamente receber.

  • Revise sua gestão financeira com regularidade — não só no fim do ano.


Marketing é só a fachada. Como está a casa por dentro? Se a sua empresa vende bem mas você não sabe explicar por que o caixa aperta todo mês, o problema não é vendas — é gestão. E isso tem solução.

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